|
Em nosso trajeto de atuação clínica, percebemos mediante o contato com os professores, a sua carência de conhecimentos para
atingir o psiquismo da criança e, ao mesmo tempo, percebemos na prática clínica a necessidade de trabalhos que possam favorecer
crianças que atualmente não podem freqüentar clínicas, mas que necessitam organizar seu mundo interno para que alcancem as
metas do aprender.
Muitas crianças da primeira série, já se encontram alfabetizadas, mas castradas no seu desejo do brincar. É um corte abrupto, na sua
infância, de um desejo tão necessário em troca da aquisição do simbolismo da leitura e da escrita, efetuado de forma massacrante.
Em decorrência desse processo se pode constatar a desmotivação da criança para a escolaridade, assim como quadros de fobias, mais
acentuados em determinadas escolas, como agressividade e outras queixas que perturbam intensamente o cotidiano da criança.
Nossa proposta de trabalho está norteada por pressupostos reichianos, baseando-se no conceito da fórmula da vida, associados a
conceitos simbólicos e significados dos brinquedos, a fim de que o profissional no contexto educacional possa ter um papel ativo diante
do educando para direcionar o fluxo energético.
Como psicólogos atuando em saúde mental infantil, deparamo-nos diariamente com o conflito: criança e escola, que se mostra através da
dificuldade que a criança encontra na aquisição de um novo conhecimento e a sua falta de motivação para ele. Em contrapartida,
confrontamo-nos com a escola e os professores, cuja meta é transmitir esse conhecimento para uma criança que não apresenta o desejo
do saber.
Como temos consciência dos conflitos psíquicos apresentados anteriormente ao processo de aprendizagem, formados no desenvolvimento
da personalidade, constatamos a impossibilidade de muitas crianças para a aquisição da alfabetização, por se apresentarem bloqueadas,
ou seja, não terem espaço psíquico para novas aquisições.
Com essas demandas, nosso enfoque pretendeu efetuar uma proposta de técnicas facilitadoras da aprendizagem, visando a criança e sua
relação com o professor, que podem estar sincronizados nessa relação, para que o processo ocorra.
Nesse sentido, o que visamos foi a criação de condições para a criança brincar no contexto escolar, direcionando o fluxo libidinal ou energético,
por meio do lúdico e propiciando ansiedades necessárias para o desenvolvimento psíquico da criança. Para atingir esse objetivo, entendemos
que o educador também deve sentir e vivenciar o brincar, para ter consciência de que o brinquedo representa o corpo e de que a criança está
fusionada a essa energia e de que o papel do educador é apenas de facilitador para que ocorra esta transfusão de energia através do brincar.
Este trabalho teve como proposta descongelar a energia vital do educador conjuntamente com a criança, com o uso de técnicas facilitadoras
do processo de aprendizagem, para maior satisfação nas atividades e diminuição das ansiedades naturais do desenvolvimento psíquico,
tornando-as capazes de mobilizar a energia nos níveis psíquico e somático.
Como fazemos uma associação do fluxo libidinal com o brincar, estamos capacitando o organismo a ampliar sua capacidade energética.
|